Contos de um gajo teso (parte I)
Oito da tarde. O pôr-do-sol estava espantoso. A única coisa que estragava o fim de tarde ao Zeca eram as putas das gaivotas. Para além de lhe terem acertado na careca com uma cagadela, faziam um barulho ensurdecedor que lhe faziam lembrar aquele casal no quarto ao lado na pensão.
De facto, na noite anterior não tinha conseguido pregar olho graças aos gritos histéricos da gaja e do espanhol que a estava a montar. Os grunhidos do gajo, qual urso na época do cio, acompanhado pela chiadeira exacerbada da ucraniana paga a meia dúzia de euros transpunham a parede de contraplacado. Bem, também o que é que seria de esperar de um antro onde o preço por noite era 10 Euros?
Lembrou-se de ir jantar a um tasco na Graça. O guito não era muito, mas tinha esperanças de conseguir qualquer coisita e enfrascar-se por menos de 7 euros.
Sim, porque tinha que sobrar algum guito para a “night”. Estava farto de estar na inércia em que só um desempregado se encontra.
Depois de um prato de moelas e um jarrito de tinto carrascão, o Zeca lá achou que já estava animado o suficiente para sair para o engate.
Passou pela pensão apenas para se pôr um pouco mais cheiroso. A colónia era rasca: três aéreos no Lidl, mas ao menos disfarçava o cheiro da sovacada. Não tinha gel, mas com um bocado de sabão azul o resultado era idêntico.
Dirigiu-se ao Bairro Alto a pé. Não se ia dar ao luxo de gastar dinheiro no táxi e àquela hora o 28 já não circulava.
Lá chegado, acabou por entrar num tasco. Apesar do aspecto manhoso daquilo, não faltavam as bifas estrangeiras que por meados de Maio começam a invadir Lisboa.
Ele sabia que o que elas queriam era mamar umas copadas e foder que nem doidas.
Depois de dois bagacitos e uma imperial, achou que estava no auge. Gajas é que nem vê-las. Já não pinava à 3 semanas e achava que tinha que aliviar os tomates. Senão, às tantas, aquilo ainda andava de rastos pelo chão.
De repente, entra um grupo de francesas, bêbadas que nem cachos. Não perdoou. Virou-se para uma e disse “ça va bien, princesse?”. O seu francês era uma merda, mais parecia um daqueles emigrantes das aldeolas do Minho que regressam em Agosto para casar os filhos com ar de azeiteiro, também elas não queriam falar muito. Ela não era nada de especial, mas também para o desenrascanço servia perfeitamente. Notava-se que por baixo dos 3 quilos de base que trazia na beiça escondia uma pele sebosa, mas também não podia ser esquisito.
Ela lá lhe acabou por dizer, num português igualmente merdoso que era filha de portugueses e estava com as amigas a passar férias na Capital portuguesa.
Ela sorriu, já inebriada pelos muitos copos de Porto que andava a deitar abaixo desde o jantar. Ele viu que aquilo até podia colar… Passou-lhe a mão pela face e disse-lhe que era a mulher mais bela que já tinha visto. Mentiroso por natureza, o Zeca achava que se acreditasse verdadeiramente no barrete, ele acabava por resultar. Marie sorriu com um ar malandro. O tesão exalava-lhe do corpo, as formas voluptuosas estavam a deixar o Zeca de pau feito. Pagou-lhe dois shots de absinto.
- Que se foda! – pensou – não hão de ser 3 aéreos que me vão deixar ficar na merda…Pode ser que ainda lhe consiga saltar em cima!
Ela correspondeu às expectativas. Estava mortinha por levar com o martelo pneumático.
Zeca perguntou-lhe se queria ir beber um copo com ele até à pensão. Ela aceitou, passando-lhe a mão no peito.
Saíram do Bairro, parando em cada esquina para se mamarem um ao outro. Dali até o Campo das Cebolas não era longe e o Zeca não ía de certeza gastar mais um cêntimo com aquela foda.
Chegados à pensão, subiram as escadas. A madeira rangia e via-se bolor nas paredes. Chegaram ao quarto dele, o número 7.
Ainda a porta não se tinha fechado, já estavam num frenesim tresloucado. Zeca puxou-lhe a saia para cima e explorou logo aquela mata ardente.
(Continua)
De facto, na noite anterior não tinha conseguido pregar olho graças aos gritos histéricos da gaja e do espanhol que a estava a montar. Os grunhidos do gajo, qual urso na época do cio, acompanhado pela chiadeira exacerbada da ucraniana paga a meia dúzia de euros transpunham a parede de contraplacado. Bem, também o que é que seria de esperar de um antro onde o preço por noite era 10 Euros?
Lembrou-se de ir jantar a um tasco na Graça. O guito não era muito, mas tinha esperanças de conseguir qualquer coisita e enfrascar-se por menos de 7 euros.
Sim, porque tinha que sobrar algum guito para a “night”. Estava farto de estar na inércia em que só um desempregado se encontra.
Depois de um prato de moelas e um jarrito de tinto carrascão, o Zeca lá achou que já estava animado o suficiente para sair para o engate.
Passou pela pensão apenas para se pôr um pouco mais cheiroso. A colónia era rasca: três aéreos no Lidl, mas ao menos disfarçava o cheiro da sovacada. Não tinha gel, mas com um bocado de sabão azul o resultado era idêntico.
Dirigiu-se ao Bairro Alto a pé. Não se ia dar ao luxo de gastar dinheiro no táxi e àquela hora o 28 já não circulava.
Lá chegado, acabou por entrar num tasco. Apesar do aspecto manhoso daquilo, não faltavam as bifas estrangeiras que por meados de Maio começam a invadir Lisboa.
Ele sabia que o que elas queriam era mamar umas copadas e foder que nem doidas.
Depois de dois bagacitos e uma imperial, achou que estava no auge. Gajas é que nem vê-las. Já não pinava à 3 semanas e achava que tinha que aliviar os tomates. Senão, às tantas, aquilo ainda andava de rastos pelo chão.
De repente, entra um grupo de francesas, bêbadas que nem cachos. Não perdoou. Virou-se para uma e disse “ça va bien, princesse?”. O seu francês era uma merda, mais parecia um daqueles emigrantes das aldeolas do Minho que regressam em Agosto para casar os filhos com ar de azeiteiro, também elas não queriam falar muito. Ela não era nada de especial, mas também para o desenrascanço servia perfeitamente. Notava-se que por baixo dos 3 quilos de base que trazia na beiça escondia uma pele sebosa, mas também não podia ser esquisito.
Ela lá lhe acabou por dizer, num português igualmente merdoso que era filha de portugueses e estava com as amigas a passar férias na Capital portuguesa.
Ela sorriu, já inebriada pelos muitos copos de Porto que andava a deitar abaixo desde o jantar. Ele viu que aquilo até podia colar… Passou-lhe a mão pela face e disse-lhe que era a mulher mais bela que já tinha visto. Mentiroso por natureza, o Zeca achava que se acreditasse verdadeiramente no barrete, ele acabava por resultar. Marie sorriu com um ar malandro. O tesão exalava-lhe do corpo, as formas voluptuosas estavam a deixar o Zeca de pau feito. Pagou-lhe dois shots de absinto.
- Que se foda! – pensou – não hão de ser 3 aéreos que me vão deixar ficar na merda…Pode ser que ainda lhe consiga saltar em cima!
Ela correspondeu às expectativas. Estava mortinha por levar com o martelo pneumático.
Zeca perguntou-lhe se queria ir beber um copo com ele até à pensão. Ela aceitou, passando-lhe a mão no peito.
Saíram do Bairro, parando em cada esquina para se mamarem um ao outro. Dali até o Campo das Cebolas não era longe e o Zeca não ía de certeza gastar mais um cêntimo com aquela foda.
Chegados à pensão, subiram as escadas. A madeira rangia e via-se bolor nas paredes. Chegaram ao quarto dele, o número 7.
Ainda a porta não se tinha fechado, já estavam num frenesim tresloucado. Zeca puxou-lhe a saia para cima e explorou logo aquela mata ardente.
(Continua)

2 Comments:
At 5:00 AM,
Helder Sanches said…
Já que falaste na carreira 28... PARABÈNS, TONE!!!
At 11:14 AM,
Tone Biclas said…
Obrigadinho!!!
O pessoal do Palpita-me é LINDO!
Quase que saía de gatas do Bairro!
Epa, mas hoje há mais bubas...pelo menos falo por mim!!!!LOL
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